Quer ficar sem ela?
Por Alessandro Lo-Bianco
O lado bom e o lado negro da força
Com todos os seus pesares, a mídia funcionou como agente de dissolução da força das tradições e das barreiras de classes, das morais e das grandes ideologias políticas. Ela proporcionou uma dinâmica de emancipação dos indivíduos em relação às autoridades institucionalizadas e às coerções identitárias. No pior dos pesares, a mídia tirou autonomia de instituições reguladoras e deu liberdade para o indivíduo compor e recompor suas orientações e modo de vida através da oferta crescente de referências. Em contrapartida, o império do consumo e da comunicação de massa gerou um indivíduo desestitucionalizado, disposto, em todos os planos, a ter o direito de dirigir a si mesmo.
Houve uma conseqüência que os novos meios de comunicação de massa transformaram o homem mais individualista, mas esse é um mau geral da tecnologia como um todo (tecnologia tende a individualização, pois não há mais a limitação da vida coletiva.) Mas ao mesmo tempo, com a mídia, o ser humano passou a estabelecer comparações dele com os outros, entre os que estão aqui e os que estão mais distantes, entre o hoje e o ontem. Mesmo que de forma imperfeita, o individualismo dos julgamentos permitiu a multiplicação de valores de referência, emancipando o sujeito das ideologias monolíticas. Pelo menos neste funcionamento, os dogmas passam a ser mais questionáveis, passamos a avaliarmos e julgarmos livremente nossas questões, sem ação coercitiva do Estado.
O maior perigo nisso tudo é que em alguns lugares os bons resultados parecem fazer com que o estado omita seu papel cada vez mais. Você começa a se perguntar: “Para que serviria o Estado? Ainda mais quando a tecnologia não passa pela mão dele. Toda nossa civilização tecnocientífica caminha para essa direção. A mídia favoreceu o desenvolvimento da autonomia dos indivíduos fazendo deles prisioneiros de novas dependências.
Um mal necessário
Por conta disso acabamos por viver no mundo da “fobia”, pois a mídia passou a nos mostrar todo o tempo o que nos cercam. Você pode avaliar agora: Se por um lado a mídia mergulha em um mundo lúdico e superficial, por outro ele não para de intensificar as imagens de um mundo repleto de catástrofes e perigos, e de aproximação cultural com outros povos.
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